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As vantagens e os desafios de um Designer de Jogos

segunda-feira, 10 de setembro de 2018 por Rafael Lagos
As vantagens e os desafios de um  Designer de Jogos

Toda vez, em minha longa carreira, que eu sai para oferecer meus serviços e os serviços das minhas empresas para potenciais clientes, sempre acabava ouvindo que um conhecido (normalmente um sobrinho maroto) sabia fazer joguinho e poderia fazer pela metade do preço.

Aliás, não deve ser exclusivo da minha área, aposto que você já ouviu isto por aí.

Se você está lendo isto, neste momento, curioso em quando eu vou parar de escrever coisas aleatórias e começar a falar de jogos e seu desenvolvimento, calma, vou enrolar mais um pouco. Afinal, nossa área é uma área muito divertida e adoramos nos divertir enquanto trabalhamos, nossa “sofrência” deve ser compensada em algum lugar não? Ok, enrolação feita, brincadeira feita, fazer jogos pode parecer simples aos olhos do leigo, mas você já viu como programar um shader maneiro? Aliás, sabe o que é um shader? Ok, adiante, já viu uma engine gráfica? Unity? Unreal? Tá, tá, e um fazedor de jogos deste mais simples? Construct? RPG Maker? Game Maker?

Ok, vamos voltar mais ainda no tempo e no espaço :)

Para entender, por cima, o que é o desenvolvimento de jogos, podemos partir do conceito de que temos 4 grandes áreas sem as quais o jogo não fica “completo”. Puxando a peteca pro meu lado, Game design, em suma, o arquiteto do jogo. O game design irá fazer o projeto do jogo, desenhar as fases do jogo, gerar os personagens, as histórias e tantos outros aspectos do jogo inerentes ao âmbito do “projeto” do mesmo.
 
Adiante nas tarefas, o artista. 3d, 2d, de conceituação ou ainda de efeitos, o artista é a pessoa que deixará seu jogo mais bonito e agradável aos olhos. Harmonizar cores, formas, animar e tantas outras tarefas de embelezamento visual recaem neste artista.

O terceiro membro de uma equipe mínima é o músico. Música apenas não é sua tarefa, mas os efeitos sonoros, os blipes e blops, pings e pongs, clicks e tocs, do seu jogo serão todos feitos por este profissional. A música, claro, é uma tarefa árdua para este profissional que visa agradar aos ouvidos de quem joga e, um parênteses, tão importante quanto “onde musicar” é onde “aplicar o silêncio”, guardem isto.

Por fim, alguém tem que botar o treco todo no seu celular, no seu pc. Este cara é o programador. Seja numa engine ou no “osso”, direto no código fazendo tudo na mão do início, ele vai juntar a arte, os sons e músicas e as regras do game design. Um quinto profissional que pode fazer parte de um time é o produtor, que basicamente tem a função de gerenciar e dar linhas de corte para o projeto, além de facilitar o todo.

Entendido quem é quem, podemos partir para o “como” fazer. Como professor diria para vocês lerem. Existem ótimas literaturas que, quase que em consenso dentro da indústria, são literaturas clássicas e “obrigatórias” para quem quer desenvolver. A Theory of Fun, de Koster e Level Up! De Scott Rogers são dois livros muito bons, agradáveis, para iniciar o entendimento de como desenvolver um jogo. Depois, bom, ensino formal ajuda, vá fazer uma pós ou uma graduação. Até cursos online são muito bons para quebrar o gelo. Mas, novamente, fazer é o melhor jeito de aprender.

Tão importante quanto saber estes itens acima, sejam eles formais ou não, é a referência. E aí, pasmem, desenvolvedor de jogo TEM que jogar!

Pense quão maravilhoso é você estar jogando e, ao ser repreendido por isto você responde: “Desculpa, estou trabalhando! Estou pesquisando referências!” (uso em casa com a esposa, funciona, acreditem). A importância de jogar é ver como problemas são resolvidos de diferentes formas. Como é feita a parábola do pulo de personagens? Diversos jogos resolvem de diversas formas, olhar e conhecer estas formas pode ajudar a resolver problemas mais facilmente.

Joguem, é bom! E para quem vai desenvolver, ter referências é fantástico!

Acho que, bem por cima, dá para ter uma ideia de para onde correr (para onde se escorar) para começar a fazer jogos. Obviamente não cobri tudo e, para ser sincero, não atingi nem a ponta do iceberg direito. Como todo ofício, fazer jogos é complexo e permite especializações mil, portanto, pesquise, divirta-se e, se tudo correr bem, publique seus jogos. ;)

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Rafael Lagos
Autor
Rafael Lagos

Atua como desenvolvedor de jogos eletrônicos e analógicos, com mais de 10 anos de carreira e jogos publicados em diversas plataformas. Atualmente sou Produtor na Produtora de Soluções Digitais da UP onde coordeno o setor de desenvolvimento de jogos e o de apps