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Economia Digital: De um não-economista para iniciantes

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018 por Eduardo Spaki
Economia Digital: De um não-economista para iniciantes

Bitcon, Ethereum, Litecoin, Block Chain, Criptomoedas, Fintech, Bancos Digitais, Nubank… tudo isso e muito mais! 


Em algum momento você já se deparou com algo dessa “nova economia digital”. Seja com uma notícia na TV sobre Bitcoin, ou com alguém que tem um cartão de crédito roxo do Nubank. Se a economia por si só já é algo complexo (tanto é que existe até bacharelado na área), imagine com essas novas “tentações” digitais… 

Que tal se inteirar um pouco do assunto para não dar bobeira com seu dinheiro!?

Eu tenho formação na área de TI, bem formal até, sendo com uma graduação e quatro pós-graduações (uma especialização, um mestrado e dois MBAs). Por conta de ter convivido bastante no meio acadêmico (sendo professor inclusive), sempre que escrevo no blog, tenho uma tendência dissertativa. Mas hoje peço licença para ser um pouco informal e para explorar um assunto que não provém da minha formação.

Porém, por ser “um cara da tecnologia”, muitas pessoas me perguntam “como funciona esse Nubank?”, “O que é esse tal de Bitcoin?”, “Bitcoin dá dinheiro? É bom investir?” e por aí vai.

De fato, a economia tem explorado e se apoiado em conceitos tecnológicos inovadores . E se tem tecnologia, eu e a empresa temos que nos envolver.

Vou começar com a Fintech:

As “financeiras tecnológicas”, carinhosamente apelidadas de fintechs, são empresas que trabalham com dinheiro e crédito, sem necessariamente ser um banco, criando uma plataforma digital para operar. 

Calma que vou explicar. Ao invés de eu criar um banco, com sede, atendimento ao público, caixas e tudo mais, eu posso criar um aplicativo que dará todo o controle para o usuário realizar as atividades que envolvem dinheiro.

Por exemplo, o Nubank não é um banco. Mas eles emitem um cartão de crédito roxo para compras. Para você controlar seus gastos, limites, validar compras e tudo mais, eles criaram um Aplicativo de Celular (app) . Se tiver algum problema, você aciona a comunicação com a empresa pelo próprio app, sem a necessidade de ir até a sede deles. Para você pagar a fatura do cartão, também usa o app deles.

Citei o Nubank, pois eles foram uma das primeiras empresas a operar exclusivamente dessa maneira no Brasil. E inspiraram os “bancos digitais”, como: Banco Inter, Next, Agibank etc.

Esses bancos não têm agências. Alguns oferecem saque de dinheiro pela rede de caixas automáticos 24 Horas. No mais, tudo é feito pelo app que cada um criou, como transferências, agendamentos, pagamentos e tudo mais.

Comecei falando das “Fintechs” e “Bancos Digitais”, pois recentemente eu mesmo, com a Code 21, estive a frente da “transformação digital” de um banco aqui no Paraná. 

Tivemos a honra de projetar e implementar uma plataforma de abertura de conta “ao melhor estilo Nubank”, onde a conta é aberta 100% utilizando o celular, praticamente na hora, sem a necessidade de ir até uma agência com “trocentos” documentos. Há muita tecnologia agregada na plataforma, que valida documentos através da câmera do celular, utilizando OCR (Optical Character Recognition - “reconhecimento de palavras por foto”) e IA (Inteligência Artificial).

Agora vamos falar de BlockChain e Cripto Moedas

Me recordo uma vez, andando pelas ruas de Las Vegas, reparei que alguns cassinos anunciavam, com grandes painéis coloridos, que aceitavam Bitcoins!

O Bitcoin é uma moeda que usa a tecnologia conhecida como BlockChain para funcionar. Primeiramente o Bitcoin é uma moeda sem dinheiro físico. Ou seja, não há cédulas de Bitcoin. Ele só existe nos computadores. 

Parece estranho, mas não se assuste, pois hoje o dinheiro do mundo todo é praticamente assim. Está ficando cada vez mais raro você abrir a carteira e tirar dinheiro, geralmente é cartão de crédito, ou boleto (que pode ser pago pela Internet), sem falar nas transferências.

O Bitcoin abriu mão da existência de células físicas e abriu mão também de um controlador central, como o Banco Central, no caso do Brasil. Ou seja, nenhum banco no mundo controla o Bitcoin.

Para validar a moeda e suas transações, uma rede distribuída de computadores, do qual qualquer um pode fazer parte, faz a validação das movimentações. Quando há quorum (vários computadores validam que a transação é real), essa movimentação é anexada ao Bitcoin. Uma vez anexada, não tem como retirar. Se você tentar retirar, a rede de computadores não validará essa ação. O Bitcoin é isso, uma série de transações que vão sendo anexadas em sequência e validada por uma rede de computadores da qual você pode fazer parte. Se você traduzir BlockChain, seria algo como “Blocos acorrentados”, ou seja, cada bloco representa uma movimentação, que vão sendo amarrados uns aos outros como uma corrente. Para garantir integridade e segurança, uma série de cálculos é feito e as informações são criptografadas (por isso Cripto Moeda).

Enfim, há muito conteúdo pela Internet que explica o Bitcoin e BlockChain, bem como outras Cripto Moedas, como a Ethereum, Litecoin etc.

Mas aqui eu gostaria de ressaltar um questionamento que volta e meia fazem para mim: Devo investir em Bitcoin (ou em alguma outra moeda dessas)?

Primeiramente: Dá seu dinheiro para mim que eu te devolvo em dobro!

Você faria isso? Provavelmente não, pois você não me conhece. Logo, se você não conhece o Bitcoin, para investir nele é preciso dedicação e estudo para conhecê-lo mais.

O Bitcoin viveu uma bolha, ou seja, ele ganhou bastante valor (mais de US$ 10.000,00 por um único Bitcoin), mas eis que de repente, desvalorizou (menos de US$ 5.000,00) em semanas.

Como podem ver, é um investimento de alto risco. Pois ele é puramente especulativo. Além disso, como não há um órgão central que regulamenta ele, qualquer problema que você vir a ter, alguma fraude por exemplo, dificilmente alguma autoridade irá tomar alguma atitude efetiva para te ajudar.

Mas o fato é que: O Bitcoin é sim uma moeda válida (a Receita Federal brasileira pede para que o mesmo seja informado no imposto de renda, inclusive, caso você possua valores nele). A tecnologia por trás dele é incrível e há muitas outras funcionalidades que tirariam proveito dela.

Investir nele é “como investir em Dólar”, acreditando que em algum momento ele se valorizará mais do que o Real. Mas é puramente especulativo, assim como a bolsa de valores.

Não é bem uma coisa para iniciantes e/ou amadores. Se você for um investidor arrojado, vale a pena o estudo, não somente do Bitcoin, mas do mundo das Cripto Moedas, para ver como tirar proveito disso.

“Spaki, eu quero investir, mas não entendo muito disso. Como posso fazer?”

Se você quer investir casualmente, é bom conhecer um pouco do básico dessa área. Vamos tentar ganhar um norte?

Há bancos/plataformas especializadas em investimentos como: XP (https://investimentos.xpi.com.br), BTG Pactual (https://www.btgpactualdigital.com/) e até mesmo uma Fintech, que opera com um app, a Easynvest (https://www.easynvest.com.br/). 

Essas empresas operam desde investimentos de alto risco, como a bolsa de valores, até investimentos conservadores, onde o retorno é “garantido”.

Só vamos nos atentar: investimentos de “Alto Risco”, implicam nele oscilar de maneira imprevisível, sendo possível ganhar muito ou perder muito… até mesmo empatar.

Investimentos conservadores/de baixo risco, implicam em: quando você coloca seu dinheiro lá, sabe quanto tempo ele ficará retido e quanto ele irá render no final. E o “garantido” entre aspas, isso significa que de fato você irá tirar mais dinheiro do que você colocou, mas às vezes a Inflação pode ter “comido” uma parte dos ganhos.

A grosso modo, Inflação é a variação do poder do dinheiro, ex: hoje R$2,00 compram um litro de leite, mas em 2017 isso não era o suficiente para comprar o litro, visto que ele custava R$ 3,00. Em 2019 ninguém sabe ao certo se os R$ 2,00 vão comprar dois litros de leite ou nenhum.

Desse modo, você pode investir R$ 1,00 hoje para retirar R$ 2,00 ano que vem. Hoje você compra 10 chocolates com R$ 1,00, mas vai que ano que vem você precisa de R$ 4,00 para comprar os 10 chocolates. Assim como pode ser verdade que ano que vem, o chocolate fica ainda mais barato.

Sim, é bastante conta e variação. Se fosse fácil, talvez todos saberíamos o que fazer para enriquecer. Demanda vários conhecimentos e atitudes para ganhar dinheiro com investimento, mas é possível ter um lucro interessante, mesmo em cenários conservadores.

Se de um lado temos a Bolsa de Valores, Bitcoins e Fundos de Investimentos indexados na inflação, sendo investimentos de Alto Risco. Do outro lado temos os investimentos de baixo risco com os Fundos de Investimento de renda fixa (% ao mês, a própria poupança funciona de forma similar), os CDBs (Certificado de Depósito Bancário), Tesouro Direto...

O CDB é um dinheiro que você empresta para o banco. O banco vai pegar esse dinheiro e emprestar ainda mais caro para outras pessoas que necessitarem. Depois ele “divide” o lucro que obteve com você (não necessariamente em partes iguais).

Já o Tesouro Direto é o empréstimo que você faz ao Governo Brasileiro. Apesar de no cerne seria CDB e Tesouro não serem a mesma coisa, as chances de uma instituição financeira falir ou dar calote, tende a ser maior que o governo. 

Aqui vale uma ressalva importante: Se uma instituição privada “falir”, o fundo garantidor de crédito restitui pra você até R$ 250.000,00 por CPF e por instituição. Ex: se você tem um milhão de Reais em um banco, e ele abrir concordata, irá recuperar somente 250 mil. E aqui fica evidente aquele ditado “não colocar todos os ovos em uma única cesta”.

Pessoal, lembrem-se: Economia é uma ciência! E eu, que não sou da área, coloquei aqui um pouco do conhecimento empírico que fui obtendo, pois em algum momento eu tive as mesmas dúvidas que vocês têm. Então aproveitei para explicar o que aprendi, sem aquele tecniquês dos economistas.

Agora me digam, vocês são investidores Arrojados ou Conservadores? E tem algum envolvimento com Moedas Digitais ou Bancos Digitais?

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Eduardo Spaki
Autor
Eduardo Spaki

Arquiteto de Soluções da Code 21. Atua há 14 anos com desenvolvimento de tecnologias, tendo participado de projetos em diversos países. É especialista em softwares para a Internet e possui MBA em Gerência de Projetos. Já publicou livro e artigos na área de tecnologia e vem palestrando sobre carreira profissional, inovação e TI. Se deseja viabilizar seu software web ou mobile, migrar para nuvem ou implantar ferramentas de TI, entre em contato com ele pela Code 21.