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Mulheres na Tecnologia: Reflexões e inspirações para os próximos anos

segunda-feira, 8 de março de 2021 por Yasmin Coelho de Santana
Mulheres na Tecnologia: Reflexões e inspirações para os próximos anos

O dia 08 de março é reconhecido como o Dia Internacional da Mulher. E nessa data, eu gostaria de propor uma reflexão sobre as mulheres na tecnologia, para entendermos os avanços e desafios que ainda temos pelo caminho.

Durante muito tempo fomos (e ainda somos) levados a acreditar que algumas atividades são mais femininas e outras mais masculinas. E algumas ideias, que parecem inofensivas, mas reforçadas por anos ou décadas, podem criar “verdades” difíceis de mudar.

Um experimento realizado pela BBC, por exemplo, evidencia a forma como meninas e meninos são tratados na infância e a disparidade dos brinquedos oferecidos para cada um dos gêneros. Enquanto para os meninos são oferecidos brinquedos de montar, carrinhos e robôs (que auxiliam no desenvolvimento de noções espaciais e cognitivas).

Para as meninas, é muito comum que sejam oferecidos brinquedos que estimulem atividades domésticas, como bonecas, panelinhas e ursinhos. Esse comportamento da sociedade, que pode ser resumido na frase “Meninos vestem azul, e meninas vestem rosa”, ainda é a realidade de muitos lares ao redor do mundo.

Porém, estudos recentes relacionam o reforço desses estereótipos de gênero ao impacto na escolha profissional de homens e mulheres.

Mulheres na Tecnologia: Um reflexo da sociedade?

E por que eu falei sobre isso? Porque esses estereótipos de gênero ainda influenciam a entrada de mulheres na área de tecnologia. 

Mas esses estereótipos não são reforçados somente com brinquedos, também são reforçados ao longo de toda a vida escolar e acadêmica das crianças e jovens. É comum, ainda hoje, ouvirmos que meninas possuem mais facilidade com disciplinas de humanas e os meninos com disciplinas de exatas.

Um estudo realizado pela OCDE, denominado “ABC da igualdade de gêneros na educação: aptidão, comportamento e confiança, nos ajuda a enxergar essa realidade com alguns dados:

    
    •    Mesmo tendo maior rendimento em matemática, leitura e ciências. Mais de 65% das meninas, contra 50% dos meninos, se preocupam em enfrentar dificuldades em cursos de matemática e exatas.

    •    Quatro vezes mais meninos pensam em seguir uma carreira profissional em engenharia ou informática.

    •    20% dos meninos e apenas 2% das meninas jogam videogame todos os dias (e aqui valeria uma reflexão sobre divisão das tarefas em casa, tempo de estudo e lazer entre cada um dos gêneros).

    •    A pesquisa relata ainda, que em alguns países, cerca de 50% dos pais esperam que seus filhos sigam uma carreira em áreas como ciências, tecnologia, engenharia ou matemática. Enquanto somente 20% esperam o mesmo de suas filhas.


Esses dados também se refletem no Portal Curitiba TI, onde quase 70% dos usuários que visitam o portal se identificam com o gênero masculino.

Como mudar a realidade das mulheres na tecnologia?

Talvez, todas essas informações possam nos desanimar. Mas ainda há esperança! Rs. 

Se analisarmos a história de luta das mulheres por direitos e igualdade de gênero, muito já foi conquistado e alcançado. No caso da tecnologia, por exemplo, existem comunidades para apoiar e fortalecer a entrada de mulheres na área e diversos exemplos de representatividade para nos inspirarmos.

Mulheres que fizeram história na Tecnologia

Ao longo da história, existem diversos exemplos de mulheres que fizeram a diferença no mundo, trabalhando com tecnologia. E se você ainda não as conhece, precisa conhecer:
        
        Ada Lovelace: Não somente a primeira mulher, como também a primeira pessoa a programar que a história registrou. Ela viveu entre 1815 e 1852 e foi responsável por mudar a forma como o computador era visto, até então somente usado para cálculos. Além disso, Ada foi responsável por criar o primeiro algoritmo processado por uma máquina.
        
        Grace Hopper: Almirante e analista de sistemas da Marinha dos Estados Unidos, Hopper foi a criadora do primeiro compilador e trabalhou a programação do primeiro computador de alta capacidade, o Mark I. Além disso, ela foi a criadora da linguagem de programação Flow-Matic, que serviu como base para o COBOL. Se não bastasse, cunhou os termos “bug” e “debugging”, utilizados até hoje na programação.
        
        Dorothy Vaughan: Foi uma grande matemática norte-americana que trabalhou na NACA, agência que antecedeu a NASA. Ela viveu durante o período de segregacionismo racial no país e foi a primeira mulher negra a ser promovida a chefe de departamento na empresa. Dorothy viveu até 2008 incentivando a inserção de mulheres em carreiras de tecnologia e ciência. Sua trajetória foi contada no filme “Estrelas além do tempo”, junto com as histórias de Katharine Johnson e Mary Jackson.
        
        Carol Shaw: Teve a coragem de entrar em uma das áreas mais masculinas da tecnologia. Shaw, é engenheira computacional e foi a primeira mulher desenvolvedora de jogos do mundo. Ela iniciou sua carreira na Atari, em 1978, e alguns anos depois foi para a ActiVision, onde foi uma das responsáveis pelo desenvolvimento do jogo River Raid.